Diferenciação aplicada a pessoas

muito se disse sobre a estratégia de (não) diferenciação de algumas empresas. A diferenciação aplicada a empresas é um tema muito estudado, com imensa literatura a ele dedicada. Há muitas opiniões sobre o assunto, mas a maioria das pessoas minimamente informadas reconhece que as maiores empresas do mundo usaram e usam, invariavelmente, uma estratégia de diferenciação.

Ora eu acho curioso que muitas dessas mesmas pessoas que advogam os benefícios da diferenciação não aplicam essa regra a elas próprias. Tal como as empresas só sobrevivem a longo prazo se tiverem algo de diferente para oferecer, também as pessoas, como entidade produtiva numa empresa e na sociedade, sobrevivem se se diferenciarem. No entanto, aquilo que eu vejo no dia a dia é:

As pessoas tentam cada vez mais ser iguais umas às outras

Por exemplo, na área das tecnologias de informação, vejo diariamente exemplos deste comportamento:

  • Existem meia dúzia de sites de referência que são referenciados, discutidos, “blogados” até à exaustão. Ou seja, algumas centenas de milhares de pessoas lêem diariamente as mesmas coisas, os mesmos pontos de vista, etc., o que lhes limita a visão que têm do mundo. às vezes tenho a sensação que elas preferem assim, porque é mais fácil discutir o assunto que toda a gente discute do que pregar no deserto. O problema é que as grandes ideias começaram precisamente assim: alguém a pregá-las num deserto.
  • As pessoas querem aprender aquilo que toda a gente quer aprender. “Se toda a gente está a tirar um curso de Eng. Informático no Técnico, então é aí que quero tirar um curso” ou “Os meus ex-colegas de faculdade vão todos tirar um MBA, por isso também vou tirar” ou ainda “Cada vez há mais pessoas a tirar a certificação Java, por isso também vou tirar“. O problema é que se toda a gente está a tirar a certificação Java ou o MBA, então deixa de ser um factor competitivo. E acontece aquilo que acontece em qualquer mercado quando não há diferenciação: o lucro tende para zero.
  • Dentro da empresa as pessoas querem todas fazer a mesma carreira. Chegar rapidamente a chefe de projecto, para depois passar a director, etc. Pelo caminho lêem-se aqueles livros (que toda a gente lê!) do tipo “One minute manager”. O problema é que se todos dentro da empresa pensam igual, aprendem as mesmas coisas e têm o mesmo plano de carreira, então a empresa passa a ser uma fábrica, e as pessoas passam a ser peças facilmente substituíveis.
  • 95% dos CV’s (Curriculum Vitae) são iguais. Ou melhor, a sua estrutura é sempre a mesma. O tipo de discurso é sempre o mesmo. As pessoas não percebem que o CV existe com um único objectivo: fazer o candidato diferenciar-se dos restantes. As palavras CV e diferenciação estão intimamente ligadas.

Há mais exemplos mas o derradeiro teste resume-se a esta simples questão, que devem colocar a vocês próprios:

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Qual é a característica/competência/atitude única que eu tenho, em relação às pessoas com quem trabalho, que faz de mim um elemento indispensável à empresa?” Peguem nessa característica e perguntem aos vossos colegas: “Das pessoas que conheces, a quem é que associas, sem hesitar, a característica/competência/atitude X?” Se eles responderem o vosso nome, então este artigo apenas vos serviu para confirmar o óbvio.

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